Segunda-feira, Julho 30, 2007

28 Weeks Later (Extermínio 2)



Dizer que os zumbis representam a massa ignorante e consumista que destrói a cultura e a civilização é chover no molhado - críticos e fãs fazem esse tipo de comparação desde o seminal "The Night of the Living Dead" (1968), e cenas como a do shopping center lotado de zumbis andando a esmo deixam óbvio até para os adolescentes menos atentos.

Mas a nossa sociedade de consumo se modificou: a vida hoje é muitíssimo mais rápida que antigamente, e hoje somos muito mais agressivos, vorazes, e com um attention span bem mais curto do que antigamente. E os filmes de zumbi evoluíram para refletir essa mudança.

Com 28 Days Later (2002), lançado no Brasil com o título "Extermínio", e o remake do clássico do Romero Dawn of the Dead (2004), os zumbis receberam upgrades, feito nós. A imagem do zumbi manco, arrastando-se lentamente pelas ruas, tornou-se obsoleta, e foi substituída pela do zumbi com olhos injetados de sangue, fortíssimo, rápido o suficente para, a pé, perseguir carros, e dotado de um raciocínio primitivo que o permite usar algumas ferramentas, descobrir entradas para os esconderijos dos humanos fugitivos, e colaborar entre si.

Em 28 Days, vai-se mais longe: os zumbis são, na verdade, humanos contaminados por uma variedade extremamente contagiosa do vírus Ebola - trazendo o medo da degradação do meio-ambiente e do surgimento de pandemias para o cenário. E até as vítimas se modernizaram: se antes dispunha-se de, no máximo, um revólver de tambor, ou uma escopeta com poucos tiros, hoje a figura do sniper, o atirador de elite, isolado no topo do prédio e acertando dúzias de zumbis, sempre está presente também.

Os dois filmes funcionam, e muito bem. Foi justamente por ter gostado tanto de ambos que me decepcionei profundamente com a seqüência "Land of the Dead" (2005), e que via com desconfiaça a continuação de "Extermínio", "28 Weeks Later". Felizmente, desse último há pouco o que reclamar.

O maior mérito do filme, talvez, é a profundidade dos personagens. Os estereótipos estão lá: a jovem cientista idealista, o coronel do exército, o franco-atirador arrogante, as crianças em fuga. Mas compreende-se as razões de cada um deles. Todas as decisões dos personagens são difíceis, mas realistas e razoáveis dada a situação crítica em que se encontram. Até a forma como vírus ressurge encontra paralelos na dinâmica das epidemias como é estudada hoje em dia.

Só isso seria suficiente para que "28 Weeks Later" fosse um filmão. Só que tem mais. A computação gráfica, cuidadosa e sutilmente utilizada, criou uma Londres abandonada convincente e assutadora. Algumas cenas, como o ataque do exército e em especial a do clímax do filme, reminiscente de "The Blair Witch Project (1999)", são claustrofóbicas e surpreendentes.

Ainda prefiro o primeiro filme, pela novidade. Mas a continuação entra fácil para a lista dos melhores filmes de horror que já vi - e os pesadelos que tive na noite em que o assisti só servem para confirmar isso...

4 comentários:

Lúcio disse...

Vou ter de soltar mais um comentário clichê sobre a nova fase colaborativa do blog: "It's alive! It's alive!" :)

filmelog disse...

It's alive, e eu espero que eu consiga mais ânimo para postar com maior freqüência por aqui também (e no livro*log, tenho que fazer uma resenha sobre um livro que acabei de ler chamado The Devil of Naking, divertidíssimo).

Mas eu não gostei muito do 28 Weeks Later...acho o primeiro filme BEM melhor.

Lúcio disse...

Acho que preciso rever o primeiro para ter certeza, mas estou com a forte impressão de que gostei mais desse segundo! Mas pode ser só um caso de eu estar mais sucetível a filmes deprês devido ao frio ou qualquer coisa assim.

BTW, já surgiram rumores de que o 28 months later vai se passar na Rússia... Presumo que a série vai terminar com um 28 years later, com toda a humanidade não infectada vivendo na Austrália ou alguma outra ilha, e com os outros continentes povoados por mutantes resistentes com um olho de cada cor. 8-P

Leonardo Bernardes disse...

Boa! Bem vindo, chapa, gostei do seu estilo

Vou assistir (baixar) o filme, confiando na sua abordagem!